terça-feira, 21 de abril de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Pisiquico

FILMES E Livros QUE ABORDAM TEMÁTICAS PSICOPATOLÓGICAS
Um estranho no ninho ("One flew over the cuckoo's nest" – EUA/1975) Impossível não
começar por esse filme. Já é um clássico na discussão da normalidade e da questão dos
hospitais psiquiátricos. Jack Nicholson está impecável, como sempre, no papel de um
presidiário internado por "comportamento anti-social".
Frances (EUA/1982) Num filme denso e pesado, a história real da atriz Frances Farmer
que, nos anos 1930, tentou fugir dos padrões morais e políticos de Hollywood (que queriam
transformá-la numa nova Greta Garbo), mas foi obrigada a recuar – e enlouqueceu. Num
papel difícil, mas apaixonante, Jessica Lange está em absoluto estado de graça,
consagrando-se como uma das maiores atrizes de sua geração. Em uma escala diferente
"Frances" é uma espécie de "Um Estranho no Ninho" feminino.
Para lembrar um grande amor ("Do you remember love" – EUA/1985) Joanne
Woodward faz uma professora universitária em um processo de Doença de Alzheimer.
Comovente e perfeito.
Iris (EUA/2002) Intercalando a juventude e a velhice, o filme conta um pouco da vida da
escritora inglesa Iris Murdoch, uma garota desinibida e a frente de seu tempo que passou
seus últimos dias com uma doença degenerativa no cérebro (Alzheimer) vivendo sob os
cuidados de seu amável marido.
Repulsa ao sexo ("Repulsion" – Inglaterra/1965) Um clássico de Roman Polanski, onde
Catheriene Deneuve faz uma jovem em um processo psicótico. As cenas das alucinações,
mesmo sem os efeitos especiais de hoje, são um primor.
Asas da liberdade ("Birdy" – EUA/1984) Um belo filme que retrata um quadro catatônico
de um soldado ferido em guerra e internado em um manicômio. A cena final é
surpreendente.
Mr. Jones (EUA/1992) Richard Gere é um maníaco-depressivo que se envolve com a
psiquiatra. Vale mais pela atuação de Gere que pelo conteúdo psiquiátrico em si.
Tempo de despertar ("Awakenings" – EUA/1990) Em Nova York, um médico trabalha
em um hospital na tentativa de trazer de volta pessoas que sofrem de uma rara doença que
os deixa catatônicos. Baseado no livro homônimo de Oliver Sacks.
Meninos não choram ("Boys don't cry" – EUA/1999) Belíssimo e doloroso filme que
discute a questão da inadequação de gênero.
Minha vida em cor-de-rosa ("Ma Vie en Rose" – Bélgica/1997) Drama comovente sobre
um garoto que pensa que é uma garota e age como tal, diante do estranhamento de sua
família e da indignação da vizinhança.
Garota interrompida ("Girl, interrupted" – EUA/1999) Baseado em fatos reais; trata-se de
mais um filme a discutir as arbitrariedades do conceito de normalidade e a adaptação Ã
loucura como forma de normalidade. Angelina Jolie está fantástica no papel de uma
sociopata.
Melhor, impossível ("As good as it gets" – EUA/1997) Jack Nicholson como um neurótico
obsessivo-compulsivo em papel que lhe valeu um Oscar.
Shinne - A história real de um genial pianista diagnosticado como esquizofrênico. Para ver
e conferir se seria esse mesmo o possível diagnóstico.
Na corda bamba ("Sing Blade" – EUA/1996) e Poder da emoção ("Digging to China" –
EUA/1998) Dois filmes que narram a amizade entre crianças e adultos com retardo mental.
O primeiro com Billy Bob Thornton e o segundo com Kevin Bacon nos papéis principais,
são exemplos de excelentes interpretações.
Os doze macacos ("Twelve monkeys" – EUA/1995) Em um ambiente do futuro, esse filme
de ficção científica mostra-nos que o hospício continua o mesmo, apesar de todos os
avanços tecnológicos.
As loucuras do Rei Georges ("The madness of King Georges" – EUA/1997) Diante do
afloramento de alguns comportamentos impróprios para o cargo que ocupa, o Rei Georges
da Inglaterra vê-se entregue à medicina do século XVIII.
Bicho de sete cabeças (Brasil/2001) O fantástico filme baseado no livro "Canto dos
malditos" (citado abaixo), tem Rodrigo Santoro, em excepcional atuação, no papel do
adolescente internado em um hospício por ter sido descoberto com um cigarro de maconha.
Imperdível.
Angel baby (Austrália/1995) Filme que mostra uma relação afetiva entre dois
esquizofrênicos. Algumas vezes lírico, algumas vezes angustiante.
Um mente brilhante ("A beautiful mind" – EUA/2001) Narra a história verídica do premio
Nobel da Matemática John Nash, portador de esquizofrenia.
Contos de Nova York ("New York stories" – EUA/1989) Três histórias contadas por três
famosos diretores de Hollywood. Uma delas - "Edipo Arrasado" - é uma comédia de Wood
Allen e trata de uma mãe dominadora que "enlouquece" o filho. Muito divertida.
O dia dos idiotas ("Ag Der Idioten" – Alemanha/1982) Uma menina rica e de "boa
família" passa a adotar um comportamento paranóide, denunciando seus amigos à polícia
como se fossem terroristas. Suas atitudes bizarras a levam a um hospital psiquiátrico, onde
convive com mulheres que formam um extenso mosaico de todas as formas de loucura.
Um anjo em minha mesa ("An Angel at My Table" – Nova Zelândia/1990) Filme sobre a
vida de uma escritora diagnosticada como esquizofrênica. O desenrolar da trama e seu
quadro clínico colocam frontalmente em xeque tal diagnóstico.
Equus (EUA/1977) Psiquiatra forense tenta desvendar o que teria levado um garoto a cegar
os cavalos sob seus cuidados.
Spider – desafie sua mente ("Spider" – França e Reino Unido/2002) Surpreendente
narrativa de David Cronenberg sobre um esquizofrênico, o processo evolutivo de sua
patologia ao longo de sua vida e sua trama de intrigas. Simplesmente imperdível.
O ilusionista ("De Illusionist" – Holanda/1984) Filme do diretor Jos Stelling que narra a
convivência de dois irmãos (um deles esquizofrênico). Seu impressionante lirismo
proporciona, dentre outras coisas, uma crítica sutil aos métodos de tratamento
psiquiátrico/psicoterápicos convencionais, que foge do lugar-comum reservado aos chavões
estéreis.
Ciúme - o inferno do amor possessivo ("L'enfer" – França/1994) François Cluzet
enlouquece (literalmente) de ciúmes por sua esposa, a belíssima Emanuelle Béart, numa
pequena pérola de Claude Chabrol. Um filme conciso e angustiante.
Uma janela para a lua ("Colpo di Luna" – Itália/1995) Belíssimo filme que aborda com a
dignidade que o assunto merece as dificuldades de relacionamento entre os perturbados
mentais e as pessoas que lidam com eles. Imperdível!
Os idiotas ("Idioterne" – Dinamarca/1998) O mais radical filme de Lars Von Trier, conta a
história de uma mulher solitária e deprimida que encontra e se agrega a uma comunidade
experimental de pessoas que vivem juntas e tentam desestabilizar, de uma vez por todas, os
parâmetros da sociedade. Pessoas perfeitamente normais que se travestem de deficientes
mentais e, com isso, vivem a mostrar ao público em geral quão idiota é a vida dita
"normal".
O sacrifício ("Sacrification" – França e Suécia/1986) Ator aposentado que vive isolado
com a mulher e o filho numa ilha, sofre crise espiritual e passa a ter pesadelos sobre o fim
do mundo e a redenção da humanidade, o que o leva ao limiar da loucura. Belíssimo filme
do aclamado cineasta russo Andrei Tarkóvski.
O iluminado ("The Shining" – EUA/1980) Um homem (Jack Nicholson) é contratado
como zelador de um hotel em baixa temporada e, isolado com sua mulher e filho,
gradualmente enlouquece enquanto forças sobrenaturais começam a perseguí-lo. Com
direção de Stanley Kubrick.
Amnésia ("Memento" – EUA/2001) Um ladrão ataca um casal, terminando por matar a
mulher e deixar o homem à beira da morte. Porém, ele sobrevive e, em decorrência do
trauma, torna-se incapaz de registrar na memória os fatos recentes (amnésia anterógrada).
Apesar disso, ele parte em uma jornada pessoal a fim de descobrir o assassino de sua
mulher para poder vingá-la.
Nell (EUA/1994) Jodie Foster interpreta o papel de uma "mulher-selvagem" a quem um
médico e uma psicóloga tentam humanizar. Trata-se da versão feminina, hollywoodiana,
das obras-primas: O enigma de Kaspar Hauser ("Kaspar Hauser" - Alemanha/1974), de
Werner Herzog, e O garoto selvagem ("L'enfant sauvage" - França/1969), de François
Truffaut.
Réquiem Para um Sonho ("Requiem for a Dream" – EUA/2000) Filme de Darren
Aronofsky que aborda a questão das drogas (legais ou ilícitas) e seu consumo compulsivo
como um sintoma perverso da contemporaneidade. Um dos melhores filmes produzidos em
2000.
As horas ("The hours" – EUA/2003) O romance Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf serve
de fio para a condução da narrativa da história de três mulheres cujo fracasso em
representar os papéis sociais mais importantes de suas vidas (como esposa nos anos 1920,
mãe nos anos 1950 e amiga na atualidade) as impele a sofrer crises emocionais tão
profundas (depressivas?) que elas precisam pesar até que ponto vale a pena continuar a
viver.
Alguns filmes que abordam a "personalidade múltipla": Mirage ("Mirage" – EUA/1995);
Sybil ("Sybil" – EUA/1976); Síndrome de Caim ("Raising Caim" – EUA/1992); O lado
negro ("The Dark Half" – EUA/1993); As três faces de Eva ("The three faces of Eve" –
EUA/1957); As três vidas de Karen ("Three lives of Karen" – EUA/1994).
Alguns filmes que abordam o autismo: Rain Man (EUA/1988); Código para o inferno
("Mercury Rising" – EUA/1998); Retratos de família ("Family pictures" – EUA/1993);
Meu filho, meu mundo ("Son-rise: a miracle of love" – EUA/1979); O enigma das cartas
("House of Cards" - 1993).
OBS 1: A listagem dos filmes acima não obedeceu a nenhum critério específico. Inclui
filmes de arte, clássicos, independentes, europeus, hollywoodianos etc. São filmes que de
uma maneira ou outra ilustram temas em psicopatologia.
OBS 2: Além de filmes, existe um sem número de obras literárias ilustrativas de sintomas
psicopatológicos, tais como: as ilusões visuais em "Dom Quixote" de M. de Cervantes, as
crises epilépticas em "Os irmãos Karamazov" de F. Dostoievsky; o delírio de ciúmes na
tragédia "Otelo" de W. Shakespeare, ou no romance "Dom Casmurro" de Machado de
Assis; a despersonalização neurótica, em "A Paixão segundo G. H." de Clarice Lispector, e
psicótica, no conto "A Metamorfose" de F. Kafka, só para citar algumas.
O próprio Freud, em seu ensaio sobre a Gradiva de Jensen, já nos alertava sobre a
importância da literatura para o conhecimento da alma humana:

(...) os escritores criativos são aliados muito valiosos, cujo testemunho
deve ser levado em alta conta, pois costumam conhecer toda uma vasta
gama de coisas entre o céu e a terra com as quais a nossa filosofia ainda
não nos deixou sonhar. Estão bem adiante de nós, gente comum, no
conhecimento da mente, já que se nutrem em fontes que ainda não
tornamos acessíveis à ciência .

Como afirma o psiquiatra Cláudio Lyra Bastos acerca da importância da
literatura no meio "psi":

(...) em nossa profissão, sem dúvida alguma, é muito melhor conhecer bem
a obra de Sófocles, Eurípedes, Shakespeare, Dostoievsky e Machado, do
que decorar síndromes, códigos e listas. O que vemos realmente todos os
dias em nossos consultórios e enfermarias são frustrados Édipos, Orestes e
Electras, ou prosaicos Hamlets, Karamazovs e Bentinhos, e não as siglas
vazias do DSM-IV .

LIVROS ESCRITOS POR PACIENTES PSIQUIÁTRICOS
O objetivo principal aqui é estabelecer uma empatia com os portadores de transtornos
mentais. Para isso, deve-se abandonar o ponto de vista etic (em etnografia, corresponde Ã
perspectiva supostamente neutra do pesquisador, que observa "de fora" um dado fenômeno)
e adotar o ponto de vista emic (correspondente à perspectiva daquele que está sendo
pesquisado). Em outras palavras e adaptando à psicopatologia, deve-se abandonar
momentaneamente a perspectiva do profissional "psi" e enxergar o mundo com os olhos de
quem sofre com os sintomas de uma dada patologia mental. Visa-se, assim, à adoção de
uma postura compreensiva frente aos perturbados mentais, na trilha daquilo que propôs
Karl Jaspers.
Memórias de um doente dos nervos (Ed. Paz e Terra) – autobiografia do jurista e paciente
psiquiátrico Daniel Paul Schreber publicada originalmente em 1903. O autor nos fornece
uma impecável narrativa de sua vivência paranóide. Trata-se do livro que, analisado por
Sigmund Freud em 1911, tornar-se-ia um de seus casos clínicos mais famosos.
Uma mente inquieta - Memórias de loucura e instabilidade de humor (Ed. Martins
Fontes), de Kay Redfield Jamison - a autora, que é psicóloga e professora da Johns
Hopkins University of Medicine, faz um relato autobiográfico de suas dramáticas crises de
mania e depressão.
Perto das Trevas (Ed. Rocco) – o romancista norte-americano William Styron -
conhecido por seu aclamado livro "A Escolha de Sofia" - faz um relato autobiográfico de
sua crise melancólica.
O demônio do meio-dia (Ed. Objetiva) – o jornalista norte-americano Andrew Solomon
relata sua experiência de tratamento (medicamentoso e psicanalítico) de sete anos contra a
depressão. Inspirado pelo que sentiu na própria pele, Andrew faz uma investigação ampla e
minuciosa, o mais abrangente estudo sobre a depressão publicado nos últimos tempos.
Nunca lhe prometi um jardim de rosas, de Hannah Green (Ed. Imago) - Publicado
originalmente em 1964 este livro é já um clássico no gênero de narrativas sobre a loucura.
Trata-se de um relato de uma adolescente de 16 anos, internada em um hospital psiquiátrico
norte-americano.
Uma menina estranha - Autobiografia de uma autista, de Temple Grandin e Margaret M.
Scariano (Ed. Companhia das Letras) - Para quem leu "Um antropólogo em Marte", de
Oliver Sacks, essa é a autobiografia da autista descrita por ele, cujo caso clínico dá título ao
livro. Um relato surpreendente dos enfrentamentos de vida de uma pessoa com essa
síndrome.
Canto dos malditos, de Austregésilo Carrano Bueno (publicado pelas Editoras Lemos e
Rocco) - Primeiro livro escrito por um ex-paciente psiquiátrico no Brasil, este é um
dramático relato das arbitrariedades e iatrogenias dos hospitais psiquiátricos. Originou o
filme "Bicho de sete cabeças".

ALGUNS SITES SOBRE PSICOPATOLOGIA :
www.psicopatologiafundamental.org
www.psipoint.com.br
www.psicopatologia.hpg.ig.com.br
www.psiqweb.med.br
www.psiquiatria.com
FREUD, Sigmund. (1907[1906]). Delírios e Sonhos na Gradiva de Jensen. In: Edição Standard Brasileira
das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol IX. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p. 20.
BASTOS, Cláudio Lyra. Manual do Exame Psíquico. Uma introdução prática à psicopatologia. (2ª ed.) Rio
de Janeiro: Revinter, 2000, p. 79.






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